“Sou a favor de uma arte que seja místico-erótico-política, que vá além de sentar o seu traseiro num museu. Sou a favor de uma arte que evolua sem saber que é arte, que tenha a chance de começar do zero. Sou a favor de uma arte que se misture com a sujeira cotidiana e ainda saia por cima.”

(Oldenburg, 1929)

Atraente como a luz para mariposas noturnas é o som que se distingue do cotidiano para o espectador distraido. Mas o som precisa de algo além para alcançar a arte? Para ser música? Algo de intuitivo ou algo que podemos chamar transcendental. Estar enquanto arte depende do ser que dá origem a uma ideia e de uma atitude a constrói.

Na emergência de formalizar o sentir, que ataca os seres criadores. Não na direção do tornar formal, mas dar-lhe materia, tornar palpável, ou melhor dar som aos exageros do peito, sentimentos a objetos cotidianos que façam vazar do artista aquilo que corrói enquanto permanece preso.

Um pequeno recipiente para guardar um som, levando o universo das bólides de Hélio Oiticica a unidade, o som ocupa mais espaço que o recipiente que limita seu espaço, o som dividido em unidades que, se distantes, sempre se encontram para ocupar a vastidão do todo.

Ao preencher o espaço com o ruído, ocupar o vazio, Caroline Holanda leva a visão ao encontro dos sentidos irmãos. Os olhos sendo ocupados da audição.

A imateria, os não objetos, as bólides, os bichos, o éden. Todos aparecem na memória carregados em partes mínimas. A sutileza do estar. Apenas estar.

Estar consigo. Ouvir. Parar. Para sentir a impossibilidade de ser constante. Perceber a natureza do inquiatar-se, o ser mutável. E o ponto primordial é aquele que nos movimenta e mantém energizados para sentir o mundo.


Izabel Dummer,

Crítica em Artes Visuais.