Montagem
A instalação propõe uma experiência sensório-perceptiva, na qual o espectador é ele mesmo o compositor, uma vez que o desenho sonoro se dá a partir das suas trajetórias corporais no espaço. A percepção é um tema central na trajetória da artista, que entende que, o modo como estabelecemos os algoritmos perceptivos na relação com o contexto, desenha subjetividades e vice-versa.
Podemos falar de pelo menos dois mecanismos perceptivos: o sentido objetivo, situado na zona cortical do cérebro; e o subjetivo, situado na zona subcortical. O sentido subjetivo está mais acentuadamente vinculado às experiências corpóreas imersivas e, portanto, à produção de relações de pertencimento (fazer-parte-de). É também fundamental para o processo de imaginação, que pode ser entendido como a base da capacidade de elaboração de outros possíveis. Na sociabilidade capitalista, esse sentido do corpo é continuamente submetido a processos de atrofia, em consonância com os mecanismos de controle e acirramento extremado do individualismo.
Vidbrio se interessa por atuar nessa zona de disputa política das experiências do corpo. Deseja possibilitar uma experiência imersiva, provocando o sentido subjetivo. Convida ao exercício de um modo de presença que não seja mediado pela hiperaceleração da vida contemporânea digital, experimentando uma pequena zona de não-habitual, propondo aestésia contra a anestésia. É um pequeno gesto de resistência a essa imensidão de dispositivos de produção de dormência a que somos submetidos em diversas instâncias.
Nessa instalação, o próprio processo de construção é lugar de outras lutas: disputar e questionar o sentido do uso da automatização tecnológica; disputar a existência de mulheres no âmbito da tecnologia; acessibilizar idéias/ferramentas em conversas e outras ações formativas; atuar no fortalecimento dos processos da periferia… lutas contidas nesse gesto de distribuir uma multiplicidade de motores víbrios em vidros tilitintando no espaço.



























































